Comentários e Críticas
“… A adaptação e a encenação que o Grupo
dos Cinco, formado por Deborah Finocchiaro, Elison Couto, Elaine Regina, Sandra
Alencar e Simone Telecchi, faz de O Urso é simples e ao mesmo tempo sofisticada…”…
o grupo afinadíssimo executa com perfeição a partitura regida
por Deborah Finocchiaro e ela demonstra um domínio absoluto dos elementos
teatrais e da linguagem com que trabalha. O andamento, a preparação
corporal e vocal e as expressivas máscaras faciais dos atores estão
sempre em alto grau de competência e originalidade. Elison Couto brilha
numa interpretação visceral e inteligente, misturando drama e comédia
sem que desviemos por um instante o nosso olhar da trama …”
(Régius Brandão / Revista eletrônica “O Bife”,
Porto Alegre, 2003)
“…A direção é cuidadosa e fortemente marcada
por diferentes ritmos, chegando à coreografia bailada, e acentua francamente
a intenção farsesca do texto. É por isso mesmo, aplaudida
de pé, porque beira um resultado absolutamente perfeito, sobretudo graças
a performance de cada ator…”
(Antonio Hohlfeldt / Jornal do Comércio, Porto Alegre, 2004)
“ Na comédia O Urso, a diretora Deborah Finocchiaro descobriu
em um conto de Tchekov uma maneira humorada de fazer o relato da guerra dos
sexos, usando apenas um sofá e excelentes atores (destaque para Simone
Telecchi, densa e fútil num piscar de olhos)….
O pulo do Gato é que Deborah materializou a volubilidade feminina fazendo
com que a viúva seja vivida por três atrizes, às vezes ao
mesmo tempo, apropriando-se da linguagem das histórias em quadrinhos.”
(Renato Mendonça/ Zero Hora, Porto Alegre, 2004)
“O Urso é a prova de que Tchekov não apenas entendia da
alma humana, mas também sabia fazer rir. Uma das montagens mais bem sucedidas
do ano passado… “
(Renato Mendonça / Zero Hora, Porto Alegre, 2004)
“ Pois, é, O Urso fez um trabalho de formiguinha, começou
aos poucos a chamar a atenção do público e terminou a cerimônia
de entrega do troféu Açorianos de Teatro e Dança e Tibicuera
de Teatro Infantil como campeão de 2003. Além de melhor espetáculo,
a peça foi a escolhida nas categorias melhor direção para
Deborah Finocchiaro e melhor ator para Elison Couto, eclipsando as favoritas…”
(Helio Barcellos Jr. / Jornal do Comércio, Porto Alegre, 2004)
“…O diferencial da montagem de Deborah Finocchiaro é a divisão
da personagem feminina em três atrizes. As três representam essa
mulher em conflito, por si só multifacetada. Não poderia resultar
melhor essa sacada. Primeiro por causa da competência das atrizes, que
dão matizes diferentes para essa viúva: ou doce, ou ingênua,
ou agressiva. Também pela coreografia toda especial que o trio se encarrega:
uma atrás da outra a lembrar figuras mitológicas orientais, ou
a brincar num jogo de sombras, extrapolando as dimensões da personagem.
Se no início há um estranhamento pelo tom exagerado que a peça
exige, aos poucos a platéia vai cedendo aos encantos da viúva
em dose tripla e do desajeitado cobrador, e O Urso acaba tornando-se uma comédia
muito interessante.
Destaque total para a direção de Finocchiaro, vencedora do Açorianos
(a peça recebeu ainda os prêmios de melhor montagem e melhor ator),
e para o coeso elenco.”
(Paulo Ricardo Kralik Angelini, Revista eletrônica “Argumento
– Cultura e Comportamento” – Poa Em Cena - Porto Alegre, 2004)
"Deborah Finocchiaro constrói “O Urso” de uma forma
que poderia ser vista por qualquer povo (civilizado?) do Universo. Quisera eu
ser japonês, australiano, sul-africano para comprovar isso. Teria sido
mal educado, mas vontade me deu, de tampar meus ouvidos e apenas ver a peça.
Sorte minha que, em alguns momentos, consegui me desvencilhar do sentido da
audição e sair da Rússia de Tchekov e chegar ao lugar criado
pelo premiado Grupo dos Cinco. Utilizando-se do que ficou na peneira por onde
passou tudo quanto é estudo de técnica teatral de que o grupo
dispunha, os Cinco disseram adeus pra literatura e olá para o teatro.
“Que bom que você veio!!”
As palavras ditas em cena apenas repetem o que diz os movimentos de cada ator
e a coreografia do grupo. As expressões do corpo repetem, por sua vez,
o que diz as faces e vice-versa. Uma atriz repete o que faz a outra, e o ator
repete o que ele mesmo diz. A repetição produz o alargamento do
tempo no sentido eisensteiniano da palavra porque não é só
de Tchekov que vive a Rússia. Não se trata apenas de tornar 50
minutos o que já foi 20 (O Urso se apresentou num Festival de Esquetes
de Gravataí antes de estrear em Porto Alegre no formato atual), mas tornar
três vezes os 20, cada uma com novas intensidades, diferentes pontos de
vista e maior profundidade.
Há uma cena clássica em “Encouraçado Potemkin”
(Sergei Einsenstein, Rússia, 1925) chamada de Escadaria de Odessa. Um
grupo de marinheiros que tomaram o comando do barco em que navegavam chega à
cidade para continuar e estabelecer a revolução também
em terra firme. No porto de Odessa, há uma longa escadaria no alto da
qual há militares prontos para lutar. Os revoltosos sobem a escadaria
e os militares a descem. Uma ação que, no melhor do cinema hollywoodiano,
duraria não mais de meio minuto. No clássico russo, a ação
se aproxima de um quarto de hora. O que ocorre é uma visita à
cada expressão, um olhar diferente por sobre a emoção já
exalada a fim de senti-la novamente, mas de um jeito diferente. Acrescenta-se
uma outra informação, atualiza-se o campo já construído.
Alarga-se o tempo, amplia-se o olhar, desestrutura-se e se estrutura novamente
as partes e o todo.
Quanto ao gênero, partimos do realismo e vamos ao melodrama, regressamos
à farsa e à comédia e avançamos no teatro contemporâneo.
Tudo banhado em preto numa estrutura coerente e que faz brilhar as interpretações
de Elaine Regina, Simone Telechi e Elison Couto e torna inesquecível
o Luká de Sandra Alencar. O “Verão” de Vivaldi coroa
o Porto Verão de Alegre e de Odessa e faz com que saiamos no teatro sem
ter dado gostosas gargalhadas ou nos emocionado as lágrimas, mas com
a alma cheia de arte para driblar o suor da semana que começa."
Rodrigo Monteiro - teatropoa.blogspot.com - 09 de fevereiro de 2009
Assisti "O urso" no ano de sua estréia, em 2003, e fiquei
muito bem impressionado com o trabalho simples e extremamente eficiente do
elenco e da direção. Pena que a Deborah não continue
dirigindo outras coisas, pois ela tem criatividade de sobra para nos dar algumas
boas peças.
Marcelo Adams - comentário sobre a crítica de
Rodrigo Monteiro